domingo, 11 de março de 2012

No caminho com Maiakovski (Fragmento)



Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na Segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Eduardo Alves da Costa

Refletindo...

Desajustado social, incompreendido pela família e pela sociedade...
Uma mente absolutamente inquieta.
Vincent Van Gogh

Uma criança com dificuldades na fala,
um aluno com graves problemas de memorização.
Albert Einstein 

Portador de uma saúde frágil, sofria de gagueira e epilepsia.
Era discriminado por sua cor. 
Machado de Assis

Perdeu a visão na infância e ficou órfão aos 15 anos.
Ray Charles

Foi expulso do Colégio Anchieta de Nova Friburgo/RJ por
"insubordinação mental".
Carlos Drummond de Andrade

Nem mesmo as circunstâncias impediram que se tornassem “imortais”...

Não permitamos que os problemas sejam maiores que os nossos sonhos!

Boa semana!


quinta-feira, 8 de março de 2012

A MULHER BOAZINHA


Qual o elogio que uma mulher adora receber? Bom, se você está com tempo, pode-se listar aqui uns setecentos: mulher adora que verbalizem seus atributos, sejam eles físicos ou morais. Diga que ela é uma mulher inteligente, e ela irá com a sua cara. Diga que ela tem um ótimo caráter e um corpo que é uma provocação, e ela decorará o seu número. Fale do seu olhar, da sua pele, do seu sorriso, da sua presença de espírito, da sua aura de mistério, de como ela tem classe: ela achará você muito observador e lhe dará uma cópia da chave de casa.
Mas não pense que o jogo está ganho: manter o cargo vai depender da sua perspicácia para encontrar novas qualidades nessa mulher poderosa, absoluta. Diga que ela cozinha melhor que a sua mãe, que ela tem uma voz que faz você pensar obscenidades, que ela é um avião no mundo dos negócios. Fale sobre sua competência, seu senso de oportunidade, seu bom gosto musical.
 Agora quer ver o mundo cair? Diga que ela é muito boazinha.

 Descreva aí uma mulher boazinha. Voz fina, roupas pastel, calçados rente ao chão. Aceita encomendas de doces, contribui para a igreja, cuida dos sobrinhos nos finais de semana.
Disponível, serena, previsível, nunca foi vista negando um favor. Nunca teve um chilique. Nunca colocou os pés num show de rock. É queridinha. Pequeninha. Educadinha.

 Enfim, uma mulher boazinha.

 Fomos boazinhas por séculos. Engolíamos tudo e fingíamos não ver nada, ceguinhas. Vivíamos no nosso mundinho, rodeadas de panelinhas e nenezinhos. A vida feminina era esse frege: bordados, paredes brancas, crucifixo em cima da cama, tudo certinho. Passamos um tempão assim, comportadinhas, enquanto íamos alimentando um desejo incontrolável de virar a mesa.
Quietinhas, mas inquietas.

 Até que chegou o dia em que deixamos de ser as coitadinhas. Ninguém mais fala em namoradinhas do Brasil: somos atrizes, estrelas, profissionais. Adolescentes não são mais brotinhos: são garotas da geração teen. Ser chamada de patricinha é ofensa mortal. Pitchulinha é coisa de retardada. Quem gosta de diminutivos, definha. Ser boazinha não tem nada a ver com ser generosa. Ser boa é bom, ser boazinha é péssimo. As boazinhas não têm defeitos. Não têm atitude. Conformam-se com a coadjuvância. PH neutro.
Ser chamada de boazinha, mesmo com a melhor das intenções, é o pior dos desaforos. Mulheres bacanas, complicadas, batalhadoras, persistentes, ciumentas, apressadas, é isso que somos hoje.Merecemos adjetivos velozes, produtivos, enigmáticos. As “inhas” não moram mais aqui. Foram para o espaço, sozinhas.
Martha Medeiros

sábado, 12 de novembro de 2011

INJUSTIÇA (Fabrício Carpinejar)



Não existe justiça no amor.
O amor não é censo, não é matemática, não é senso de medida, não é socialismo.
É o mais completo desequilíbrio. Ama-se logo quem a gente odiava, quem a gente provocava, quem a gente debochava. Exatamente o nosso avesso, o nosso contrário, a nossa negação.
O amor não é democrático, não é optar e gostar, não é promoção, não é prêmio de bom comportamento.
O melhor para você é o pior. Aquele que você escolhe infelizmente não tem química, não dura nem uma hora. O pior para você é o melhor. Aquele de quem você procura distância é que se aproxima e não larga sua boca.
Amor é engolir de volta os conselhos dados às amigas.
É viver em crise: ou por não merecer a companhia ou por não se merecer.
Amor é ironia. Largará tudo — profissão, cidade, família — e não será suficiente. Aceitará tudo — filhos problemáticos, horários quebrados, ex histérica — e não será suficiente.
Não se apaixonará pela pessoa ideal, mas por aquela que não conseguirá se separar. A convivência é apenas o fracasso da despedida. O beijo é apenas a incompetência do aceno.
Amar talvez seja surdez, um dos dois não foi embora, só isso; ele não ouviu o fora e ficou parado, besta, ouvindo seus olhos.
Amor é contravenção. Buscará um terrorista somente para você. Pedirá exclusividade, vida secreta, pacto de sangue, esconderijo no quarto. Apagará o mundo dele, terá inveja de suas velhas amizades, de suas novas amizades, cerceará o sujeito com perguntas, ameaçará o sujeito com gentilezas, reclamará por mais espaço quando ele já loteou o invisível.
Ninguém que ama percebe que exige demais; afirmará que ainda é pouco, afirmará que a cobrança é necessária. Deseja-se desculpa a qualquer momento, perdão a qualquer ruído.
Amar não tem igualdade, é populismo, é assistencialismo, é querer ser beneficiado acima de todos, é ser corrompido pela predileção, corroído pelo favoritismo. É não fazer outra coisa senão esperar algum mimo, algum abraço, algum sentido.
Amor não tem saída: reclama-se da rotina ou quando ele está diferente. É censura (Por que você falou aquilo?), é ditadura (Você não devia ter feito aquilo!). É discutir a noite inteira para corrigir uma palavra áspera, discutir metade da manhã até estacionar o silêncio.
Amor é uma injustiça, minha filha. Uma monstruosidade.
Você mentirá várias vezes que nunca amará ele de novo e sempre amará, absolutamente porque não tem nenhum controle sobre o amor.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Sobrevivente!

Após problemas técnicos, o Escrevedora mostrou que veio para ficar! Algumas postagens foram excluídas... Mas, nada que não possa ser recuperado!

Aproveitando a empreitada, estamos até de "cara nova"! Espero que gostem!

Até a próxima!...

terça-feira, 5 de julho de 2011




Hoje, ao acessar a internet me deparei com a seguinte notícia:


Abortos por anomalia são realizados na Inglaterra

Segundo o Departamento de Saúde da Inglaterra, dos 189.574 mil abortos realizados na Inglaterra e no País de Gales em 2010, 2.290 foram feitos devido a anomalias fetais, incluindo Síndorme de Down, problemas no sistema esquelético e fissura nos lábios. Essa é a primeira vez que o governo inglês lançou os dados sobre abortos realizados em razão de deficiências e as condições médicas dos fetos e os números chamaram a atenção.

As estatísticas revelaram que 482 fetos foram abortados devido a Síndrome de Down, 128 por distúrbios, nervosos na espinha bífida e 181 por problemas músculo-esqueléticos, como “pé torto. Nos dados constavam também que sete gestações foram interrompidas em razão de fissuras no palato, um problema que pode ser resolvido com uma cirurgia relativamente simples, que pode ser feita a partir dos três meses de idade. Quem solicitou a pesquisa foi a Aliança Pró-Vida inglesa. (...)


Fonte: http://meme.yahoo.com/memary/p/I1D7V8c/?cid=brtd/">http://meme.yahoo.com/memary/p/I1D7V8c/?cid=brtd/

Eu poderia escrever um manifesto indignado, poderia expressar meu desapontamento com linhas e linhas de puro repúdio a tal "genocídio", mas, peço emprestadas as palavras do poeta, que traduzem com maestria a visão que tenho do mundo nesse momento:

Os homens não melhoram
e matam-se como percevejos.
Os percevejos heróicos renascem.
Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado.
E se os olhos reaprendessem a chorar seria um segundo dilúvio.

(O sobrevivente - Carlos Drummond de Andrade)

domingo, 22 de maio de 2011

A difícil arte de "ser" humano



Nossa... Há quanto tempo o “Escrevedora” está “parado”... Vários foram os motivos que me levaram a dar um tempo nas postagens... sendo o principal deles a falta de tempo! Ontem, porém, vi um filme maravilhoso... Tendo em vista a riqueza temática e a variedade de sensações transmitidas por ele... resolvi compartilhar tal “tesouro’.


Pode parecer ironia, ou até mesmo uma piada de muito mau gosto, mas os seres humanos nunca estiveram tão distantes uns dos outros. A ideia de que a tecnologia aproxima as pessoas, torna-se cada vez menos convincente. Afinal, o isolamento causado pelas “grandes redes sociais” soa como um grande paradoxo: pessoas exibem centenas de “amigos virtuais”, apesar de não saberem sequer o nome do vizinho que mora ao lado.
Quem já recebeu uma carta, escrita à mão, entregue pelo carteiro, compreende muito bem do que estou falando... Não dá para comparar com a frieza do e-mail.
Calma... não precisa se revoltar... Não sou contra a tecnologia (acho até mesmo difícil imaginar a vida sem o google), mas uma coisa não exclui a outra, ou seja, apesar de ser adepta das novidades digitais, não posso fechar os olhos para a complexidade humana, a qual, (in)felizmente, nem mesmo a precisão de um software é capaz de desvendar.

Complexidade do ser humano...




O diretor australiano Adam Elliot, de 38 anos, é um homem de coragem. Levou o Oscar de melhor curta de animação em 2004 por Harvie Krumpet e agora faz sua estreia no longa-metragem em um projeto bastante ousado. Trata-se de "Mary e Max — Uma Amizade Diferente", filme realizado com massinha de modelar, praticamente todo narrado, que apresenta temas pesadões como suicídio, desemprego e obesidade. Obviamente, não dá para indicá-lo às crianças. Mas sua mistura agridoce de drama e humor pode cair no agrado dos adultos. Segundo o cineasta, a trama tem inspirações reais. Começa em 1976, flagrando o cotidiano de Mary Daisy Dinkle, uma menina australiana de 8 anos que mora num subúrbio de Melbourne. Ignorada pelos pais, a garota está curiosa para saber de onde vêm os bebês. Por isso escreve, aleatoriamente, a um estranho de Nova York. Lá nos Estados Unidos, Max Horovitz recebe a carta dela. Gordo, solitário e sem emprego, esse judeu de 44 anos encontra conforto nas palavras da nova amiga. Mary e Max descobrem, então, paixões em comum, entre elas o chocolate, e se correspondem por quase duas décadas.

http://vejasp.abril.com.br/cinema/mary-max-uma-amizade-diferente (Abril de 2010)


O filme Mary e Max – uma amizade diferente desencadeou uma série de reflexões acerca de assuntos variados. Amizade, solidão, sonhos... Temas universais abordados de forma cômica e comovente pelo diretor Adam Elliot.

O ser humano. Sua beleza. Sua complexidade.